Hipertensão Arterial Sistêmica:
O que preciso saber em 7 pontos!

1º - Se trata de uma doença muito prevalente!

 

A pressão alta atinge cerca de 30% dos adultos no Brasil, podendo alcançar até 50% da população após os 50 anos de idade! Ou seja, é muito comum!

 

Dizemos que é o fator de risco cardiovascular chave, pois se associa com infarto do miocárdio, AVC isquêmico, AVC hemorrágico, insuficiência cardíaca e renal, alterações visuais (retinopatia hipertensiva), formação de aneurismas entre outras mazelas.

Dentre os principais fatores de risco biológicos para hipertensão arterial, além da idade, temos fatores genético/hereditários, indivíduos com familiares de primeiro grau com diagnóstico de pressão alta tem uma maior probabilidade de desenvolver a mesma condição, então caso você tenha familiares acometidos com essa condição, fique esperto!

2º - O que é uma pressão arterial normal?

 

Estudos têm demonstrado que níveis pressóricos acima de 115/75 mmHg se relacionam com aumento no risco de adoecimento cardiovascular no longo prazo, sendo assim, se convencionou que temos uma pressão arterial normal quando os valores são menores que 120/80 mmHg ou popularmente 12 por 8. Abaixo podemos conferir a classificação atual da pressão arterial de acordo com Sociedade Brasileira de Cardiologia:

 

 

 

 

 

 

3º - Foco nos hábitos saudáveis!

São os nossos hábitos diários que agem em conjunto com os fatores biológicos determinado a elevação crônica da pressão arterial, sendo os principais:

- Dieta alimentar rica em sal, sódio e alimentos industrializados ricos em calorias e pobres em nutrientes 

- Sobrepeso e obesidade

- Inatividade física e sedentarismo

- Consumo excessivo de álcool

- Estresse, privação de sono incluindo apneia e tabagismo.

 

 

4º - O diagnóstico correto e a diferença entre pressão arterial média e pressão arterial momentânea:

Sabemos que oscilações pressóricas são necessárias para realizarmos nossas atividades habituais e muitas vezes se confundem com o diagnóstico de hipertensão arterial.

 

Ao contrário do que é popularmente difundido, dificilmente teremos valores pressóricos idênticos em situações distintas, a todo momento nossa pressão é rigorosamente regulada por mediadores neuroendócrinos para atender as demandas que nosso organismo requer naquele momento.

 

Isso significa que fisiologicamente teremos os menores valores da pressão arterial nos períodos de repouso e calmaria, bem como durante o sono. Em contrapartida nos momentos de estresse, agitação, durante realização de atividades físicas ou mesmo quando há uma dor/desconforto de qualquer causa, teremos uma elevação da pressão basal para atender a demanda aumentada que essas situações determinam. Esses momentos de elevação fisiológica e normal na pressão arterial devem ser distinguidos de uma verdadeira Hipertensão Arterial Sistêmica.

Para isso precisamos avaliar a pressão média de várias medidas em momentos distintos, pois na Hipertensão Arterial Sistêmica crônica, teremos valores alterados na maioria das aferições, mesmo nos momentos de maior calmaria e repouso!

Para isso dispomos de vários métodos validados para aferirmos a pressão arterial média, possibilitando com isso um diagnóstico muito preciso. Tais como a realização de medidas seriadas em consultório e as monitorações em domicílio, como o MAPA de 24h e o MRPA de 5 dias.

 

Mostramos na tabela abaixo as recomendações atuais feitas pela sociedade brasileira de cardiologia para a definição de Hipertensão Arterial Sistêmica de acordo com o método utilizado:

 

 

5º - Sintomas e dor de cabeça!

A Hipertensão arterial sistêmica é uma doença tipicamente silenciosa, sendo mais comum que as primeiras queixas sejam decorrentes de algum dano ao sistema cardiovascular do que da elevação pressórica por si. Entretanto é verdade que valores acima de 180/120 mmHg pode proporcionar algum mal estar geral e dor de cabeça associada, mas mesmo nesses casos, a maioria dos indivíduos permanece assintomático. Sendo que de longe dores de cabeça de outras causas, como a cefaleia tensional e a enxaqueca, podem proporcionar aumentos momentâneos da pressão arterial como consequência e não como causa. 

 

6º - O tratamento não farmacológico!

Após feito o diagnóstico de pressão alta, partimos para o tratamento, este pode ser não farmacológico isolado ou associado com medicamentos, dependendo das características de cada indivíduo. Principalmente levando em consideração a magnitude da elevação pressórica, o risco cardiovascular global, a presença de doença cardiovascular manifest (como história de infarto, AVC, aneurisma, aterosclerose, insuficiência cardíaca etc), e da presença de lesão em órgão alvo (como hipertrofia cardíaca secundária ao quadro hipertensivo, nefropatia incipiente etc), entre outros achados.

Modificações nos hábitos, principalmente redução no consumo de sal e sódio aliado à prática de atividades físicas e emagrecimento são a pedra angular do manejo, eventualmente medicamentos adjuvantes serão necessários.

 

Descrevo abaixo as principais intervenções no estilo de vida e as respectivas reduções na pressão arterial sistólica que podem ser alcançadas:

Redução no consumo de sódio para menos que 2000-1800 mg por dia: Redução aproximada na pressão arterial sistólica (PAS) de aproximadamente 5,4 mmHg

Redução de peso visando manter o IMC normal (índice de massa corporal entre 18,5-24,9 kg/m2: Redução aproximada na PAS de aproximadamente 5-20 mmHg

Adoção do plano DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension): Consumir dieta rica em frutas, legumes e laticínios com baixo índice de gorduras: Redução média na pressão sistólica (PAS)de: 8-14 mmHg

Atividade física: Adotar uma atividade aeróbica regular, como caminhada rápida (pelo menos 30 min por dia na maioria dos dias da semana, mínimo de 150 min na semana):  Redução média na pressão sistólica (PAS) de: 4-9 mmHg

Moderação no consumo de álcool: Limitar o consumo diário a não mais que duas doses (30 ml de etanol - 720 ml de cerveja, 300 ml de vinho ou 90 ml de uísque para homens e uma dose para mulheres e pessoas de mais baixo peso: Redução média na pressão sistólica (PAS) de: 2,5-4 mmHg  

Atenção: Alguns quadros de Hipertensão arterial moderada, com valores entre 130/80 mmHg e 140/90 mmHg em pessoas de baixo risco cardiovascular e sem evidencias de dano causado pela hipertensão até o momento, podem ser tratados inicialmente com modificações de hábitos de firma isolada, existindo a possibilidade de reversão sustentada do quadro, sem a necessidade de medicamentos. Mas claro, dependendo da aderência e de outros fatores individuais, como a genética.

Sabemos que nem todas as pessoas experimentam essas reduções na pressão arterial após modificações de hábitos, mas mesmo assim haverão benefícios, como um controle mais fácil do quadro evitando um aumento progressivos dos níveis pressóricos ao longo do tempo.

7º - Qual o melhor remédio? O uso de medicamentos é para sempre?

Quando indicado, a escolha correta do melhor remédio deve ser feita com base nas características individuais de cada pessoa, levando em consideração as classes que são recomendadas como primeira linha e seus diversos mecanismos de ação, bem como a presença concomitante de sintomas e outras doenças, seus possíveis feitos colaterais, adaptação e custos.

Na maioria das vezes o tratamento é indicado continuamente, mas ainda sim existem casos em que após algum tempo, de acordo com a aderência sustentada a um estilo mais saudável, pode-se tentar a suspensão dos remédios e reavaliação pressórica posterior, mas isso deve ser feito de maneira muito precisa  calculada, visando não trazer frustrações e eventuais danos cardiovasculares. 

Em nossa clínica dispomos de uma estrutura para avaliar e investigar possíveis alterações pressóricas, com medições simples durante a consulta médica e sempre que indicado com a monitoração de 24h (MAPA de 24h) ou com a monitoração residencial de 5 dias (MRPA de 5 dias). Saber os reais níveis pressóricos é certamente a principal condição para uma conduta adequada, seja para tranquilização em caso de resultado normal ou para guiar o tratamento em caso de anormalidades, esse que pode ir desde modificações comportamentais até a escolha de medicamentos adjuvantes e seguimento ao longo do tempo.

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